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Ministra Marina Silva fala sobre sustentabilidade no FSM

Na quinta-feira (26/07), o Fórum Social Mundial realizou, dentro de sua Programação, uma mesa temática intitulada “Fortalecer a terra, alimentar o Brasil” para discutir o contexto da fome no Brasil.

Sediado no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o evento contou com a presença de Laura Sito, deputada estadual eleita (PT-RS), Duda Salabert, deputada federal eleita (PDT-MG) e Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.

“Eu quero dizer para vocês que a mensagem que eu trago aqui, nesse momento tão difícil da história do nosso País, é em primeiro lugar de agradecimento pela resistência daqueles que dão suporte e sustentação ao Fórum Social Mundial”, disse Marina.

Ela esteve presente no Fórum em 2003, quando havia sido nomeada pela primeira vez como ministra, e reforçou que o modelo do evento ajuda na reconstrução e reconexão da sociedade com a esperança.

Transformar boas ideias em políticas públicas

“Esse Fórum é um verdadeiro celeiro de boas ideias para que possamos transformar essas boas ideias em políticas públicas. Boa parte do que deu certo quando eu fui ministra durante duas vezes no governo do presidente Lula não foi porque nós inventamos a roda, foi porque nós pegamos as boas ideias na sociedade e transformamos em política pública”, disse.

A ministra pontuou que, para o combate à fome, devem ser considerados os fatores sociais e preconceitos que assolam uma parcela específica da população. “Hoje, o que nós queremos é o combate estrutural do racismo, do machismo, das atitudes que são contrárias ao respeito à diversidade, não é por acaso que é sobre a população LGBTQIA+ que recai grandes formas injustas de preconceito e de violência física que elimina a vida das pessoas.”

“Eu estou aqui como ministra do Meio Ambiente pela terceira vez para dizer que estamos juntos, governo e sociedade, no grande desafio de recuperar as políticas públicas na área social. O racismo ambiental é aquele que incide sobre os mais vulneráveis”, destacou.

Marina reforçou o que havia dito no seu discurso de posse, que o governo trataria o meio ambiente como uma pauta transversal, abordada por todos os órgãos governamentais. “Essa é uma luta muito generosa e ao mesmo tempo radical, porque a sustentabilidade não é só uma maneira de fazer, é uma maneira de ser, é uma visão de mundo, é um ideal de vida.”

“Ser sustentável não é se orientar pelo ideal do ter, é se orientar pelo ideal do ser. Há limite para ter, há limites para tirar do planeta infinitamente, mas não há limites para ser, não há limites para ser melhor poeta, não há limites para ser o melhor professor, não há limites para ser o melhor filósofo. Não há limites para ser, mas há limites para ter. Nós vamos ter que sair dos limites extensivos, aonde nós estamos disputando recursos, objetos, posições de poder”, finalizou.

Combate à fome

Laura Sito, que tomará posse no dia 31 de janeiro como uma das primeiras deputadas estaduais negras do Rio Grande do Sul — ao lado de Bruna Rodrigues (PCdoB), que também será empossada no mesmo dia –, relembrou as raízes da desigualdade e o processo de retrocesso que fez necessário o movimento de retorno ao combate à fome após a volta do Brasil ao Mapa da Fome.

“O Brasil viveu, entre os anos 80 e 90, um processo neoliberal profundo de esfacelamento das condições de dignidade do povo. Foi um processo extremamente profundo de compreensão social e de unidade social de setores que tinham divisões diferentes”, frisou.

Para Laura, “as cozinhas comunitárias, por exemplo, se tornaram mais do que o espaço da ideia do alimento, trazem para sua comunidade uma conscientização sobre o processo econômico, mas a gente sabe que o compromisso, o dever de combater é o Estado”.

Duda Salabert concordou com a análise de Laura, e pontuou, assim como Marina, que se deve prestar atenção às camadas mais oprimidas da sociedade. “Essa visão antropocêntrica tem que ser superada porque tem a visão do homem como um europeu branco cisgênero heterossexual, e quanto mais distante dessa categoria, menos humanos nós somos. Precisamos resgatar uma visão ecocêntrica que vê o ser humano não como sendo o universo, mas parte do universo.”

Foto: Luiza Castro / Sul21

Fonte: Duda Romagna / Sul21/CUT/RS

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