Bancários do Paraná se mobilizam contra fechamento de agências e metas abusivas

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14 de julho 2026

A Fetec-CUT/PR(Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná) realizou na segunda-feira (13/07), no Centro de Guarapuava, mais uma etapa da caravana de divulgação da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O evento reuniu representantes dos dez Sindicatos filiados à Federação, provenientes de cidades como Apucarana, Arapoti, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Curitiba, Londrina, Paranavaí, Toledo e Umuarama.
 
A mobilização tem como objetivo central dialogar com a categoria e com a população sobre as principais reivindicações da campanha, que incluem a valorização do trabalho bancário, fim do assédio, reajuste salarial digno, e o fim do fechamento de agências e da eliminação de postos de trabalho.
 
Demissões e fechamento de agências

O cenário nacional do setor bancário motivou as lideranças sindicais a intensificarem a cobrança. Dados do movimento sindical apontam que, entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram em 93,3 mil os postos de trabalho e fecharam 9,5 mil agências, o que representa uma média de 30 unidades por semana. Esse movimento de reestruturação ocorre em paralelo aos lucros recordes do setor, que somaram R$ 124 bilhões em 2025 apenas nos cinco maiores bancos do país.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de Guarapuava Franciele Marcanzzoni Zukovski. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

A presidenta do Sindicato dos Bancários de Guarapuava Franciele Marcanzzoni Zukovski. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

A presidente do Sindicato dos Bancários de Guarapuava e região, Franciele Marcanzzoni Zukovski, destacou a situação crítica vivenciada pelos trabalhadores, especialmente no interior do estado, e cobrou providências imediatas.

"Muitos bancários afastados por questões de saúde, e a gente vê que o banco não está preocupado com os trabalhadores, o banco está preocupado com os lucros, com os acionistas. E a gente precisa mudar essa realidade. Muitas agências com falta de funcionários, principalmente agências do interior".

 
Franciele reforçou ainda a necessidade de realização de concursos públicos para o preenchimento das vagas no Banco do Brasil e criticou a manutenção de metas abusivas em um cenário de equipes reduzidas. "E a gente precisa exigir concurso público do banco e preenchimento dessas vagas, porque as metas não diminuem, só diminui a quantidade de funcionários. E isso está pesando, a conta está indo só para o bancário", afirmou a sindicalista, pedindo o engajamento da categoria para pressionar os bancos.
 
Metas abusivas e adoecimento dos trabalhadores
Outro ponto central da campanha é a denúncia das metas abusivas impostas pelas instituições financeiras, que têm contribuído para o crescimento expressivo dos casos de adoecimento entre os bancários. A categoria aponta que a combinação de cortes de pessoal e cobranças cada vez mais altas por resultados gera um ambiente de sobrecarga, ansiedade e estresse, elevando os índices de transtornos mentais e afastamentos previdenciários.
O diretor de Patrimônio do Sindicato de Guarapuava, Orlando Stavinski. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

O diretor de Patrimônio do Sindicato de Guarapuava, Orlando Stavinski. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

O diretor de Patrimônio do Sindicato de Guarapuava, Orlando Stavinski, também se manifestou sobre a pressão no ambiente de trabalho e o impacto disso na vida dos bancários.
 
"Exigimos dos banqueiros menos metas, as metas abusivas, que estão adoecendo nossos trabalhadores e trabalhadoras. Estamos exigindo que cesse o fechamento de agências no interior, principalmente, porque a nossa população fica refém de uma agência nos grandes centros".
 
 
Orlando destacou ainda que a luta é justa e que a categoria precisa do apoio da população. "Estamos aqui pedindo o apoio da população também, que sabe que a nossa luta é de direito, e que o banqueiro somente fica explorando os trabalhadores, que estão adoecendo dia após dia, porque as metas são abusivas, as metas não têm limites", concluiu.
 
 
Valorização do trabalho e papel social dos bancos
O presidente da Fetec-PR, Deonisio Schmidt, ampliou o debate ao defender que o sistema financeiro precisa assumir um papel social mais relevante, que vá além da geração de lucro para acionistas. Ele destacou a necessidade de tratar a população de forma humanizada e que o banco crie condições para melhorar os atendimentos.
 
O presidente da Fetec-PR, Deonisio Schmidt. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

O presidente da Fetec-PR, Deonisio Schmidt. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

"Banco não serve somente para dar lucro ao acionista. Banco serve para intermediar as relações, fomentar a economia, o desenvolvimento de uma nação, de uma região."
 
Ao abordar a diferença de tratamento entre as instituições, Schmidt criticou a forma como metas são aplicadas de maneira generalizada, sem considerar as especificidades de cada banco. "A forma como o Banco do Brasil cobra a meta dos funcionários não pode ser a mesma forma que o TAU cobra. Porque tem funções diferentes na sociedade", exemplificou.
 

O dirigente também reforçou a necessidade de concurso público para aumentar o quadro de funcionários, especialmente em instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que, segundo ele, sofrem com a falta de pessoal para atender a população com dignidade e tempo adequado. "É necessário fazer concurso público para aumentar o quadro de funcionários das agências, para que um funcionário possa trabalhar de forma digna e atender a população de forma humanizada", concluiu.

Por Joka Madruga/Vigília Comunica