Mobilização da categoria bancária faz bancos recuarem em proposta de reajuste por faixas salariais

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18 de agosto 2026

Com a rejeição de 97% da categoria, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) retirou propostas de reajustes por faixas salariais, fragmentação do aumento dos vales refeição e alimentação entre cidades maiores e menores, e de congelamento do piso de ingresso para os novos bancários. O anúncio foi feito nesta terça-feira (18/07) na capital paulista, após o Comando Nacional dos Bancários apresentar os resultados de Assembleias realizadas por Sindicatos de todo o país.

Apesar do recuo, a representação dos bancos não apresentou nenhuma proposta de índice de reajuste nesta rodada. Sob a alegação da boa-fé negocial, a Fenaban questionou a razão da paralisação do dia 20 de agosto, aprovada por 90% dos bancários nas Assembleias.

Os bancos também pediram uma pausa ainda no início da rodada, que durou até às 16h. No retorno, disseram que só prosseguiriam com as negociações se a categoria desistisse das paralisações na quinta-feira (20).  

O Comando Nacional recusou. Esse ciclo que começou com as Assembleias, na segunda-feira (17), e que levou à aprovação do Dia Nacional de Paralisação, na próxima quinta, é o resultado da má vontade da Fenaban nesta mesa. É uma reação da categoria à falta de propostas por reajuste e melhores condições de trabalho”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT.

O Comando Nacional também voltou a cobrar a garantia da ultratividade, que assegura que os direitos da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) continuem valendo mesmo após o fim do prazo de vigência, até que um novo acordo seja assinado. Porém, a Fenaban negou e ameaçou, mais uma vez, levar a negociação para o TST (Tribunal Superior do Trabalho).

“O fim da ultratividade foi um dos malefícios da reforma trabalhista de 2017, aprovada pelo Congresso Nacional, e teve como relator Rogério Marinho, hoje coordenador do programa de governo do candidato Flávio Bolsonaro. Importante que a categoria não reeleja os deputados que votam pela perda de direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores”, reforçou Juvandia Moreira.

Além de acabar com a ultratividade, a reforma trabalhista de 2017 atacou a organização sindical, permitiu a pejotização (que precariza empregos e retira os trabalhadores da proteção da Convenção Coletiva) e a terceirização para todas as atividades, que antes era restrita para atividades-meio (como vigilância e limpeza).

Após nova pausa a pedido dela mesma, a Fenaban retornou à mesa anunciando que as negociações serão retomadas na segunda-feira (24), porque terão uma reunião com todo o setor, na sexta (21), para alinhar a proposta global.

Dia nacional de paralisação: 20 de agosto

Nas rodadas anteriores o Comando cobrou também a suspensão das demissões no setor bancário, indenização adicional para encarecer as demissões, qualificação e requalificação dos trabalhadores. Embora tenha sinalizado positivamente a essas reivindicações, a Fenaban ainda não trouxe proposta concreta. “Por tudo isso, é importante que, nesta quinta-feira, 20 de agosto, tenhamos uma boa paralisação da categoria em todas as regiões”, reforçou Juvandia Moreira.

“Exigimos uma proposta decente, com aumento real, valorização da PLR, do VA e VR e do piso. Não sairemos desta campanha sem a justa valorização dos bancários, que construíram o lucro de R$ 171 bilhões dos bancos em 2025. Uma grande paralisação na quinta-feira 20 é fundamental para pressionar os banqueiros a apresentarem uma boa proposta na próxima negociação”, concluiu Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato de São Paulo.

Próximos passos

- 20/08: Dia Nacional de paralisação por aumento real e melhores condições de trabalho.
- 24/08: retomada das negociações entre Comando Nacional e Fenaban.

De olho nos números

- O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, o montante de R$ 1,2 trilhão.
- Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
- A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
- Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
- O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, comprovando a alta rentabilidade gerada pelos bancários.
- Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e bancários usaram medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes).

- Corte nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
- PLR: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%.

Entre os bancos públicos, os percentuais mudam. A Caixa, por exemplo, atingiu o teto de 15% de CCT, e Banco do Brasil se aproximou do índice, com distribuição de 11%.

Fonte: Contraf-CUT