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PF retira deputado Renato Freitas (PT) de avião para ser revistado

O deputado Renato Freitas foi o único passageiro revistado pela PF

O deputado estadual do PT do Paraná, Renato Freitas, foi vítima mais uma vez de racismo ao ser abordado pela Polícia Federal (PF), dentro de um avião pouco antes da decolagem no aeroporto de Foz do Iguaçu (PR), cidade em que ele foi a convite do Ministério dos Povos Indígenas, com destino a Londrina. Os policiais entraram na aeronave e o retiraram da cabine para que ele fosse revistado, mesmo já tendo passado, antes, pela inspeção na máquina de Raio X.

Na ação filmada pelo próprio deputado, os agentes da PF revistam a sua mochila e o seu o corpo com a desculpa de que esse é um procedimento “aleatório” em que um passageiro é escolhido, mesmo sem nenhuma denúncia, para ser revistado. Ocorre que este tipo de inspeção normalmente é feita após a passagem pelo raio X, antes do embarque e nunca dentro de um avião. Veja abaixo o vídeo.

Na gravação, Freitas diz: “Não sei o que está acontecendo. Estou no avião, a Polícia Federal parou o voo e está me chamando. Parece que sou suspeito de alguma coisa e quero saber do que”, afirmou Renato Freitas enquanto se dirigia para fora do avião.

Na sequência, já no finger (túnel que liga a área de embarque à aeronave), um policial federal perguntou a Freitas se ele é deputado e se conhece o “procedimento”. “É aleatório”, disse o agente. O parlamentar, então, teve sua mochila totalmente revistada e, depois, passou por uma inspeção corporal.

Sem encontrar nada que impedisse Freitas de embarcar, os policiais o liberaram para entrar novamente no avião e desejaram “boa viagem”.

Bando de racistas ignorantes”, declarou o petista ao passar pelas fileiras de assentos da aeronave. Uma passageira deu “graças a Deus” que “deu tudo certo” e Freitas respondeu: “Tudo certo? Sim, tirando o fato de ser humilhado… Quantas pessoas saíram desse voo escoltados pela Polícia Federal para ser revistado?”.

A PF diz ter atribuição para a realização de fiscalização de atividade aeroportuária. “Houve entrevista de forma aleatória a passageiros, nas quais todos os protocolos de abordagem foram devidamente respeitados pelas equipes policiais”, declarou, em resposta ao UOL.

Confira a abordagem em vídeo

Freitas têm sido vítima frequente de racismo

Esta não é a primeira vez que o deputado é alvo de racismo. O caso mais emblemático foi uma tentativa da Câmara de Curitiba de cassar o seu mandato quando era vereador.

Renato Freitas foi acusado de quebra de decoro parlamentar por ter participado de um protesto, em fevereiro, do ano passado, na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos homens Pretos, pelo fim da violência contra pessoas negras. Porém, a própria Arquidiocese de Curitiba enviou uma carta à Câmara, solicitando que Renato não perdesse o mandato.

A entidade religiosa disse que ele “cometeu certos excessos ao ocupar um local sagrado”, mas não interrompeu a missa. Por isso, pediu “punição proporcional aos fatos”. A carta dizia que a “manifestação contra o racismo é legítima, fundamenta-se no Evangelho e sempre encontrará o respaldo da Igreja”. A arquidiocese também declarou reconhecer “no vereador o anseio por justiça em favor daqueles que historicamente sofrem discriminação em nosso país. A causa é nobre e merece respeito”.

Ainda assim seu mandato foi cassado, mas a medida foi anulada pela Justiça, pois ele não teria tido a oportunidade de se defender. A defesa do vereador não foi intimada dentro do prazo processual necessário. Mas os membros da Casa insistiram e o cassaram pela segunda vez.

Durante a tramitação do processo de cassação, na Câmara de Vereadores, Renato sofreu ameaças e recebeu manifestações racistas. Enquanto o caso estava no conselho de ética, por exemplo, ele recebeu e-mail, atribuído ao relator do processo, vereador Sidnei Toaldo (Patriotas), que o chamava de “negrinho”, dizia que ele devia ir “de volta à senzala” e que “vamos branquear Curitiba e a região Sul, queira você ou não”, além de outras agressões.

Apesar da segunda tentativa de tirar o mandato legítimo de Freitas, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, cassou a decisão dos vereadores de Curitiba.

O ministro enfatizou que a punição apresentava outra implicação, ainda mais relevante, ao restringir o direito à liberdade de expressão em defesa de grupo vulnerável, vítima constante de violência. Barroso também anotou o viés de racismo estrutural na decisão da Câmara de Curitiba. “Na situação aqui examinada, e talvez não por acaso, o protesto pacífico em favor de vidas negras, feito pelo vereador reclamante dentro de igreja, motivou a primeira cassação de mandato na história da Câmara Municipal de Curitiba”, afirmou em sua decisão.

Já como deputado estadual eleito, mas sem ter assumido o cargo à época, Freitas relatou ter sido vítima de ação discriminatória por parte de policiais militares dentro da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), enquanto acompanhava votação da privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia), em novembro do ano passado. Ele disse ter sido ameaçado por dois agentes que estavam à paisana. De acordo com o parlamentar, um deles teria sussurrado “fica de olho nesse aí”.

Por Redação CUT, com informações da Contraf-CUT e do Brasil de Fato

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